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O chimarrão é uma
tradição gaúcha que acompanha a peonada do campo e da cidade
diariamente, o clima quase sempre frio favorece a prática desse
outro costume que além de gostoso é revigorante e também
fraterno pois a cuia passa de mão em mão, dando seqüência nas
trovas e conversas. E é ótimo parceiro do churrasco, pois é
diurético e digestivo. |
Chimarrão,
Curtindo a cuia
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Antes de tu ires mateando,
tens que dar um trato na cuia.
Seguem abaixo orientações para isso.
Cura-se uma cuia
enchendo-a de erva-mate pura ou misturada com cinza vegetal
e água quente. Este pirão deve permanecer por dois ou três
dias, sempre úmido, para que fique bem curtida, impregnando
o gosto da erva em suas paredes. A Cinza é para dar maior
resistência ao porongo.
Passando o tempo
determinado, retira-se a erva-mate da cuia, raspando com uma
colher, para eliminar alguns baraços que tenham ficado. |
Enxágua-se com água quente e estará
curada ou curtida, pronta para entrar em uso. O mate ou cuia se cura
cevando, isto é, à medida que vai sendo usada vai dando melhores mates.
Há quem goste de colocar o mate
(cuia) num cozimento com flores de maçanilha após o curtimento
Preparando
o Chimarrão
1. Comece colocando água para ferver
2. Coloque a erva em 3/4 da cuia
3. Tape com a mão, e deite a erva até ficar quase vertical, sacuda.
4. Despeje água morna na cuia na quantidade suficiente para deixar a
erva armada na posição inclinada.
5. Deixe inchar a erva por mais ou menos 3 minutos.
6. Enterre a bomba na erva tapando a ponta com o polegar. Vá até o
fundo.
7. Deixe a água chiar, sem ferver.
8. Encha a cuia e tome até roncar, antes de passar para outra pessoa.
9. Agora você está pronto para saborear o seu chimarrão.
Adicione água quente (80ºC) no espaço vazio próximo a bomba enchendo a
cuia (sem cobrir completamente a erva).
Beba até que a água tenha terminado e volte a encher a cuia e assim por
diante. Não mova a bomba e continue usando a mesma erva até sentir que
ela perdeu o gosto.
Dicas . Use erva nova . Não
tome muito depressa
****Se tu és dos que
estão descobrindo agora o chimarrão, seja pelo motivo apontado, seja por
se tratar de turista de passagem ou ainda por qualquer outro motivo,
saibas que, ao lado da simplicidade desse costume e da informalidade que
caracteriza a roda de chimarrão, existem certas regras, mandamentos,
mesmo, que devem ser respeitados por todos. Vejamos, pois, aquelas
coisas que ninguém tem o direito de fazer, sob pena de ver os tauras
daqui empunhar lanças pela enésima vez na história e, talvez, antecipar
o "dia seguinte".
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NÃO PEÇAS AÇÚCAR NO MATE
O gaúcho aprende desde piazito que e por que o chimarrão se chama
também mate amargo ou, mais intimamente, amargo apenas. Mas, se tu
és dos que vêm de outros pagos, mesmo sabendo poderás achar que é
amargo demais e cometer o maior sacrilégio que alguém pode imaginar
neste pedaço do Brasil: pedir açúcar. Pode-se pôr na água ervas
exóticas, cana, frutas, cocaína, feldspato, dólar etc, mas jamais
açúcar. O gaúcho pode ter todos os defeitos do mundo mas não merece
ouvir um pedido desses. Portanto, tchê, se o chimarrão te parece
amargo demais não hesites: pede uma Coca-Cola com canudinho. Tu vais
te sentir bem melhor.
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NÃO DIGAS QUE O CHIMARRÃO É
ANTI-HIGIÊNICO
Tu podes achar que é anti-higiênico pôr a boca onde todo mundo põe.
Claro que é. Só que tu não tens o direito de proferir tamanha
blasfêmia em se tratando do chimarrão. Repito: pede uma Coca-Cola
com canudinho. O canudo é puro como água de sanga (pode haver
coliformes fecais e estafilococos dentro da garrafa, não no canudo).
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NÃO DIGAS QUE O MATE ESTÁ QUENTE
DEMAIS
Se todos estão chimarreando sem reclamar da temperatura da água, é
porque ela é perfeitamente suportável por pessoas normais. Se tu não
és uma pessoa normal, assume e não te fresqueies. Se, porém, te
julgas perfeitamente igual às demais, faze o seguinte: vai para o
Paraguai. Tu vais adorar o chimarrão de lá.
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NÃO DEIXES UM MATE PELA METADE
Apesar da grande semelhança que existe entre o chimarrão e o
cachimbo da paz, há diferenças fundamentais. Com o cachimbo da paz,
cada um dá uma tragada e passa-o adiante. Já o chimarrão, não. Tu
deves tomar toda a água servida, até ouvir o ronco de cuia vazia. A
propósito, leia logo o mandamento seguinte.
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NÃO TE ENVERGONHES DO "RONCO" NO FIM
DO MATE
Se, ao acabar o mate, sem querer fizeres a bomba "roncar", não te
envergonhes. Está tudo bem, ninguém vai te julgar mal-educado. Este
negócio de chupar sem fazer barulho vale para Coca-Cola com
canudinho, que tu podes até tomar com o dedinho levantado.
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NÃO MEXAS NA BOMBA
A bomba do chimarrão pode muito bem entupir, seja por culpa dela
mesma, da erva ou de quem preparou o mate. Se isso acontecer, tens
todo o direito de reclamar. Mas, por favor, não mexas na bomba. Fale
com quem lhe ofereceu o mate ou com quem lhe passou a cuia. Mas não
mexas na bomba, não mexas na bomba e, sobretudo, não mexas na bomba.
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NÃO ALTERES A ORDEM EM QUE O MATE É
SERVIDO
Roda de chimarrão funciona como cavalo de leiteiro. A cuia passa de
mão em mão, sempre na mesma ordem. Para entrar na roda, qualquer
hora serve mas, depois de entrar, espera sempre tua vez e não
queiras favorecer ninguém, mesmo que seja a mais prendada prenda do
Estado.
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NÃO "DURMAS" COM A CUIA NA MÃO
Tomar mate solito é um excelente meio de meditar sobre as coisas da
vida. Tu mateias sem pressa, matutando, recordando... E, às vezes,
te surpreende até imaginando que a cuia não é cuia mas o quente seio
moreno daquela chinoca faceira que apareceu no baile do Gaudêncio...
Agora, tomar chimarrão numa roda é mui diferente. Aí o fundamental
não é meditar e sim integrar-se à roda. Numa roda de chimarrão, tu
falas, discutes, ri, xingas, enfim, tu participas de uma comunidade
em confraternização. Só que esta tua participaçâo não pode ser
levada ao extremo de te fazer esquecer da cuia que está em tua mão.
Fala quanto quiseres mas não esqueças de tomar teu mate, que a
moçada tá esperando.
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NÃO CONDENES O DONO DA CASA POR TOMAR
O 1º MATE
Se tu julgas o dono da casa um grosso por preparar o chimarrão e
tomar ele próprio o primeiro, saibas que grosso é tu. O pior mate é
o primeiro e quem o toma está te prestando um favor.
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NÃO DIGAS QUE CHIMARRÃO DÁ CÂNCER NA
GARGANTA
Pode até dar. Mas não vai ser tu, que pela primeira vez pegas na
cuia, que irás dizer, com ar de entendido, que chimarrão é
cancerígeno. Se aceitaste o mate que te ofereceram, toma e esquece o
câncer. Se não der para esquecer, faze o seguinte: pede uma
Coca-Cola com canudinho, que ela... etc, etc
LENDA DO
CHIMARRÃO
Existem muitas lendas contando como
foi que começou o uso da erva mate. Destas descrevemos uma:
Era sempre assim: a tribo de índios
guarany derrubava um pedaço de mata, plantava a mandioca e o milho, mas
depois de quatro ou cinco anos a terra se euxaria e a tribo precisava
emigrar a terra além.descrevemos uma:
Cansado de tais andanças, um velho
índio, já mui velho, um dia recusou seguir adiante e prefere quedar-se
na tapera. A mais jovem de suas filhas, a bela Jary ficou entre dois
corações: seguir adiante, com os moços de sua tribo, ou ficar na
solidão, prestando arrimo ao ancião até que a morte o levasse para a paz
do Yvi-Marai. Apesar dos rogos dos moços, terminou permanecendo junto ao
pai.descrevemos uma:
Essa atitude de amor mereceu ter
recompensa. Um dia chegou um pajé desconhecido e perguntou à Jary o que
é que ela queria para se sentir feliz. A moça nada pediu, mas o velho
pai pediu, "que renovadas forças para poder seguir adiante e levar Jary
ao encontro da tribo que lá se foi".
Entregou-lhe o pajé uma planta muito
verde, perfumada de bondade, e ensinou que ele plantasse, colhesse, as
folhas, secasse ao fogo, triturasse, botasse os pedacinhos num porongo,
acrescenta-se água quente ou fria e sorvesse essa infusão, "terás nessa
nova bebida uma nova companhia saudável mesmo nas horas tristonhas da
mais cruel solidão". Dada a receita partiu.
Foi assim que nasceu e cresceu a
caá-mini. Dela resultou a bebida caá-y que os brancos mais tarde
adotaram o nome de chimarrão.
Sorvendo a verde seiva o ancião
retemperou-se, ganhou força e pode empreender a longa viajada até o
reencontro com seus. Foram recebidos com a maior alegria.
E a tribo toda adotou o costume de
beber da verde erva, amarguentinha e gostosa que dava força e coragem e
confortava amizade mesmo nas horas tristonhas da mais total solidão.
A ERVA MATE (lenda indígena)
Era sempre assim: a tribo derrubava
um pedaço de mata, plantava a mandioca e o milho, mas depois de quatro
ou cinco anos a terra se exauria e a tribo precisava emigrar à terra
além.
Cansado de tais andanças, um velho
índio um dia se recusou a seguir adiante e preferiu quedar-se na tapera.
A mais jovem de suas filhas, a bela
Jary, ficou entre dois corações: seguir adiante, com os moços de sua
tribo, ou ficar na solidão, prestando arrimo ao ancião até que a morte o
levasse para a paz do Ivy-Marae. Apesar dos rogos dos moços, terminou
permanecendo junto ao pai.
Essa atitude de amor mereceu ter
recompensa. Um dia chegou ao rancho um pajé desconhecido e perguntou a
Jary o que é que ela queria para se sentir feliz. A moça nada pediu. Mas
o velho pediu: "Quero renovadas forças para poder seguir adiante e levar
Jary ao encontro da tribo que lá se foi".
Entregou-lhe o pajé uma planta muito
verde, perfumada de bondade, e ensinou que ele plantasse, colhesse as
folhas, secasse ao fogo, triturasse, botasse os pedacinhos num porongo,
acrescentasse água quente ou fria e sorvesse esta infusão.
"Terás nessa nova bebida uma
companhia saudável mesmo nas horas tristonhas da mais cruel solidão".
Dada a receita, partiu.
Foi assim que nasceu e cresceu a
caá-mini. Dela resultou a bebida caá-y que os brancos mais tarde
adotaram com o nome de chimarrão.
Sorvendo a verde seiva o ancião
retemperou-se, ganhou força, e pôde empreender a longa viagem até o
reencontro com os seus.
Foram recebidos com a maior alegria.
E a tribo toda adotou o costume de
beber da verde erva, amarguentinha e gostosa, que dava força e coragem e
confortava amizade mesmo nas horas tristonhas da mais total solidão.
Evolução
Histórica
O uso desta planta como bebida tônica
e estimulante já era conhecido pelos aborígenes da América do Sul. Em
túmulos pré-colombianos de Ancon, perto de Lima no Peru, foram
encontradas folhas de erva mate ao lado de alimentos e objetos,
demonstrando o seu uso pelos incas.
Desde os primórdios da ocupação
castelhana no Paraguai, indicado por Don Hernando Arios de Saavedra
(governante de 1592-1594), observou-se a utilização da erva mate pelos
indígenas.
Os primeiros jesuítas estabelecidos
no Paraguai (posteriormente nas missões), fundaram várias feitorias, nas
quais o uso das folhas de erva mate já era difundido entre os índios
guaranis, habitantes da região.
Posteriormente observou-se que os
indígenas brasileiros, que habitavam as margens do rio Paraná,
utilizavam-se igualmente desta Aquifoliácea. Outras tribos não
localizadas em regiões de ocorrência natural da essência, possuíam o
hábito de consumi-la, obtendo-a através de permuta.
Estas tribos localizadas no Peru,
Chile e Bolívia, transportavam o produto por milhares de quilômetros.
Orientados pelos jesuítas, instalados
na Companhia de Jesus do Paraguai (denominação dada no século XVII aos
territórios das províncias do Paraguai, Buenos Aires e Tucuman), os
indígenas iniciaram as plantações de erva mate.
Concomitante a implantação de ervais,
os jesuítas aprofundaram-se no estudo do sistema vegetativo da planta,
visto que as sementes caídas das erveiras não germinavam naturalmente.
Os jesuítas definiram preceitos sobre época de colheita de sementes, do
preparo e cultivo da erva mate.
Por mais de século e meio
(1610-1768), quando se deu a saída forçada da Companhia de Jesus, os
jesuítas exploraram o comércio e a exportação do mate. O Padre Nicolós
Durain observou que os índios tomavam o mate em água quente, não podendo
passar sem ele no trabalho, muitas vezes, pois era o único sustento.
As bandeiras paulistas que de 1628 a
1632 percorreram as regiões de Guaíra regressaram trazendo índios
guaranis prisioneiros, e com eles o hábito da bebida.
Origem do nome Mate
O espanhol preferiu usar a voz
"mate", da língua quíchua, e que se ajusta melhor à modalidade grave do
idioma. A palavra quíchua "mati" era a designação da cuia. Substituiu a
palavra guarany, caiguá, nome composto das vozes caá (erva), i (água) e
guá (recipiente). O significado é o seguinte: recipiente para a água da
erva.
Nomes Populares
A erva mate é conhecida popularmente
também como mate, chá-mate, chá-do-paraguai, chá-dos-jesuítas,
chá-das-missões, mate-do-paraguai, chá-argentino, chá-do-brasil,
congonha, congonha-das-missões, congonheira, erva, mate-legítimo,
mate-verdadeiro.
Outras denominações populares de
menor disseminação incluem: erva-de-são bartolomeu, orelha-de-burro,
chá-do-paraná, congonha-de-mato-grosso, congonha-genuína,
congonha-mansa, congonha-verdadeira, erva-senhorita.
As denominações indígenas para a
erva-mate são caá, caá-caati, caá-emi, caá-ete, caá-meriduvi e caá-ti.
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